Nem sei como começar essa postagem. Fazer os primeiros posts daqui foi fácil, dizer quem sou, explicar como vai funcionar o blog, porquê do nome...mas e agora? Por onde começar de fato as postagens? Estou vivendo um período de transição na minha vida e talvez isso cause bagunça na minha mente e por isso ao escrever me perco em escolher um tema para começar. Então, natural que eu fale sobre essa bagunça...
Eu tive fases marcantes na minha vida, todos nós temos, mas não como a fase atual, essa está sendo a mais marcante de todas. Eu tive uma infância de um modo X, a vida adulta até meus 30 anos convivendo com muitos assuntos não resolvidos desde meus primeiros anos de vida e isso não porque eu não queria resolver, mas porque eu não via com clareza o que estava de fato acontecendo (num futuro acredito que nem tão longo falarei aqui sobre isso). Aos 30 anos tive uma amiga que começou a me dar pistas do que estava acontecendo, começou a me abrir os olhos para alguns assuntos que eu achava que era eu o problema, depois eu busquei e apareceram pessoas que foram, cada uma, me clareando mais e mais a visão. Passei por momentos tensos sim quando tive uma depressão na minha década de 30, mas ao mesmo tempo foi um período que rendeu muitos frutos, já que coloquei pra fora muitas coisas que não me faziam bem. Melhorei, novos ares e uma visão muito mais clara da minha vida. Energizada para uma nova fase, ai veio a pandemia. Me recolhi, me cuidei, fiquei em casa o máximo de tempo que pude, apesar de sair muito já que uma casa e a vida de uma pessoa precisa de muitas coisas que são vendidas em outros lugares. Foi um período difícil, mas que também me renovei, fiz uma pós-graduação online e cada dia que passava fui vendo mais e mais o significado que eu dava para mim mesma e como eu devia ajustar isso.
Fim da pandemia, perdida, mais sozinha, já que duas pessoas que me eram muito próximas, amigos, se afastaram. E ao mesmo tempo que eles minha base de segurança na vida (uma dessas pessoas a que me abriu os olhos para algumas coisas que eu vivia) vi que eles eram minha zona de conforto que me impedia de voar. Não entendam mal, eles foram essenciais na minha vida pelo tempo que ficaram, ao lado dessas duas pessoas me senti segura ao ver com outros olhos muitos aspectos de minha vida, mas ai eles se afastaram. Num primeiro momento me senti sem chão, sem a segurança de ter com quem conversar ou pedir um conselho, me senti sozinha. Mas poucos meses depois vi que foi a melhor coisa que aconteceu, pois agora entendendo de fato minha vida e sabendo que eu não era o monstrinho que eu achava que eu era, pude dar novos significados para minha vida e a ter forças e condições de caminhar sozinha, de ser dona da minha vida, dos meus pensamentos, de ser dona do meu mundo, mas isso só pôde acontecer quando fiquei sem essas duas pessoas amigas que tanto me ajudaram e que continuaram me ajudando quando se afastaram, continuaram me ajudando ao deixar eu viver sozinha, sem um porto seguro para correr e desabafar, ao me deixar reforçar minha base de vida e a construir quem eu sempre quis ser. Meu porto seguro tem que ser eu mesma, meus valores, minha autoestima. Ter amigos é ótimo, mas eles devem ser complementos, e não a nossa base.... a nossa base tem que ser nós mesmos.
Sai desse período solitário mais forte. Como fiz isso? Primeiro sentindo e vivendo a tristeza das duas pessoas amigas quando se afastaram. Depois por escrever, literalmente escrever em papel, quem eu gostaria de ser (haverá post sobre isso). Quando eu coloquei no papel quem eu gostaria de ser em vários aspectos, percebi que muitos itens eu já era, já tinha em mim, agora era só reforçá-los. Os "itens" que eu não tinha, busquei aprender, adquirir, entender como absorver. Aviso: Essa busca é constante, nunca acaba.
Sobre quem eu quis ser, como disse, haverá post sobre isso, mas aqui quero deixar uma mensagem: para entender nosso EU do presente e poder ser o EU que desejamos ser, é preciso reviver o passado e entender o que não nos fez feliz. É necessário sim talvez sofrer alguns momentos novamente para dar nossos significados a eles, entender porque aconteceram ou simplesmente para enterrá-los definitivamente. Eu fiz isso e entendi tantas coisas da minha vida até os 30 anos! Haviam explicações técnicas, científicas, médicas para a origem de tantos momentos tensos. Eu nunca fui a bruxa, a malvada, a vilã como eu pensei que era e essa visão me tirou um peso tão gigante das costas! Tudo isso graças a olhar pro passado, entender o que deu certo e o que me fez mal e este, porque me fez mal, quais foram as origens? Entender tudo isso deu um significado todo novo para minha vida. Posso dizer que a década de 30 da minha vida foram de descobertas, nova visão da vida, novos significados e construção de quem eu queria ser.
Esse post tem continuação, mas o que quero deixar aqui para você é a mensagem de que: nunca é tarde para passar a vida a limpo; que muitas coisas tem explicação sim e que nem sempre nós somos os vilões (às vezes somos, hehehe). E principalmente: que sempre podemos reiniciar...nos reconstruir...
Luz para você!

Cada pessoa fica em nossa vida exatamente o tempo que deve ficar. Depois, quando cada um cumpre seu papel - nós na vida deles e eles na nossa - a vida segue seu curso e as pessoas se afastam. E às vezes nem é por maldade, mas sim porque eles não cabiam mais em nossa vida e nem nós nos ajustávamos à deles. É natural. E às vezes a gente também precisa ser abandonado em queda livre, sozinhos, para aprendermos a voar mais alto.
ResponderExcluirOlha só a pessoa que você se tornou hoje, se não é de dar um baita orgulho!
Tudo são ciclos. ❤️
Ui... caiu um cisco nos meus olhos... hehehehe. Exatamente, só aprendemos a voar quando somos empurrados do ninho, queda livre, sozinhos... dá medo, mas depois a sensação de liberdade é maravilhosa. Obrigada por tudo minha irmã de alma!
Excluir